domingo, 16 de outubro de 2011

População de boto diminui 10% ao ano na Amazônia



A população de boto - vermelho (Inia geoffrensis)  está diminuindo 10% ao ano em algumas regiões da Amazônia. O resultado foi obtido por pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), por meio do Projeto Boto, e divulgadas este mês.

Uma das razões para a redução, segundo os estudos realizados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM), seria o aumento da matança para a pesca da piracatinga (Callophysus macropterus), um peixe necrófago conhecido como urubu d'água.


O Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA), do Inpa, a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) realizarão um workshop no próximo dia 18 para discutir a situação atual de conservação do boto vermelho e a matança que esta espécie da fauna aquática vem sofrendo na última década na Amazônia.


De acordo com a coordendora do LMA e conselheira do Ampa, Vera da Silva, o workshop busca estabelecer um processo que resulte na elaboração de ações efetivas para eliminar essa atividade cruel e insustentável na região;


O projeto Boto do Inpa iniciou em 1993 com esforços da pesquisadora do Inpa, Vera da Silva e do Conselho de Pesquisas do Ambiente Natural do Reino Unido (NERC), Anthony Martin.
Desde a sua primeira expedição, em janeiro de 1992, o projeto vem crescendo a cada ano e, atualmente, possui uma base de pesquisa, voadeiras e a presença contínua no campo de pelo menos três pessoas.



O Boto-Vermelho (Inia geoffrensis) assim como o golfinho marítimo e a baleia, é um mamífero da ordem das cetáceas sendo o maior dos golfinhos de água doce do mundo. Os machos podem atingir até 2,5 m de comprimento e pesar 180 kg. As fêmeas atingem mais de 2,10 m e 100 kg de peso. Os filhotes nascem cinza, e tornam-se rosados com a idade. Machos adultos são mais rosados do que as fêmeas devido ao maior porte e pela intensa abrasão na pele causada por brigas intraespecificas. As nadadeiras peitorais são grandes e largas, e a nadadeira dorsal é longa e baixa.
Pode ser encontrado em todos os tipos de rios (água preta, branca e clara), nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Beni/Mamoré. Alimenta-se principalmente de peixes e são geralmente solitários.


Outra principal causa de mortalidade é a captura acidental nas redes de pesca. Mortes intencionais por pescadores acontecem eventualmente devido ao comportamento da espécie em retirar peixes das redes, causando estragos aos petrechos de pesca.


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Vejam também: Fisioterapeuta usa boto - cor-de-rosa para tratar crianças

 

Maior parte das crianças submetidas ao tratamento com golfinhos de rio têm problemas sanguíneos, como leucemia e anemia falciforme. (Foto: Eliel Jacaré/Divulgação)


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